Cereal indígena altamente nutritivo produzido por mulheres sem terra está acabando com a desnutrição em Gana

Salma Abdulai, 32. Natural de Gana, país onde 50% das crianças sofrem de desnutrição e a fome faz 3,5 milhões de vítimas fatais todos os anos, decidiu reverter as estatísticas com esforço próprio, investindo suas economias para dar acesso às mulheres sem terra e capacitação para que pudesse produzir um cereal chamado fonio.

“A desnutrição é uma questão social séria em Gana, onde temos muitas crianças que morrem com menos de cinco anos de idade por causa da má nutrição”, conta. “Por isso, acredito que, para ter uma sociedade saudável e ativa, precisamos começar com a comida”.

Salma é Técnica Agrícola e tem pós-graduação em Economia Agrícola e promoveu uma verdadeira revolução agrícola e social em seu país. Em 2014, usou suas economias de US$ 5 mil (R$ 16.500) para abrir sua empresa, desde então, beneficia não só aqueles que sofrem de problemas nutricionais, como também mulheres impactadas por uma sociedade predominantemente patriarcal.

Depois de anos de estudo, Salma redescobriu o potencial do fonio, um cereal indígena altamente nutritivo, que estava em desuso há seis décadas por conta da introdução do arroz e de outros tipos de grãos. Durante as pesquisas, ela identificou a possibilidade de cultivar o fonio em qualquer tipo de solo, do mais seco ao mais úmido. E bastavam oito semanas para que ele amadurecesse.

Nascida e criada em Tamale, no norte de Gana, onde mulheres não podem ser donas de terra, ela forneceu terrenos –até então inférteis– a centenas de moradoras sem terra e as capacitou para o cultivo do cereal.

Em quatro anos de trabalho, ela aumentou de dez para 350 o número de mulheres produtoras capacitadas para o cultivo. Depois de colhido, o produto é transportado para a sede da empresa, onde um grupo de cerca de 20 funcionárias dá andamento aos próximos passos da cadeia produtiva.

Parecido com um tipo de milho, esse cereal não contém glúten e é rico em ferro, proteína e carboidratos. Além disso, ele pode ajudar pessoas com problemas pré-existentes, como diabetes, já que tem baixo índice glicêmico.

Além disso, a produção de fonio promove um importante impacto ambiental. Ela minimiza a erosão de solos e dispensa o uso de fertilizantes, que prejudicavam o terreno. Este cereal ainda é resistente a mudanças climáticas, devido à baixa necessidade de água, e pode ser colhido três vezes em uma única estação.

Dados sobre o projeto de Salma

  • 1.500 hectares de terras degradadas já estão sob o manejo sustentável
  • 3.000 agricultores sem terra devem ser envolvidos no cultivo de fonio nos próximos anos
  • US$ 600 (R$ 1.900) é o montante faturado por cada produtora a cada safra
  • US$ 70 mil (R$ 231 mil) foi o faturamento anual do negócio até 2017.
  • 512 famílias já foram ajudadas pelo negócio

Acreditar em si mesma sempre foi o combustível de Salma para seguir em frente com seus planos e acabou virando a filosofia de seus negócios. Mas ela também é uma forte defensora do empreendedorismo feminino para mudar a realidade .

“O empreendedorismo é uma maneira de destacar a influência das mulheres no mundo”, acredita ela, que atua hoje também na Canadian Feed The Children, em Gana. A instituição tem como proposta oferecer treinamentos a pequenos agricultores sobre sistemas, ferramentas, tecnologias e sementes agrícolas adaptadas ao clima local. Cerca de 85% das famílias locais dependem da agricultura para sobreviver.

março 30, 2018
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