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Permacultura urbana

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  • #1316

    Marcelo Muraro
    Participante

    Olá!

    Primeiramente, agradeço pela possibilidade de poder fazer esse curso gratuito. Ainda sou um observador da Permacultura. Alguém que ainda “engatinha”. Nesses vídeos do Thomaz Lotufo pude ter um panorama maior sobre o que significa a Permacultura enquanto conceito. Trata-se basicamente de uma nova tecnologia, uma metodologia de design. Aliás, até a palavra “design” (segundo ele, significa DESIGNAR, dar sentido a). Nunca havia pensado nisso. Nesse sentido, o conceito da Permacultura pode ser aplicado em qualquer lugar, inclusive na zona urbana. E eu, vivendo em apartamento, num condomínio edifício, pensei no termo: Permacultura Urbana Condominial. E é perfeitamente possível, não fossem as pessoas tão difíceis. Eu, por exemplo, mudei para esse endereço em 2011 e assumi como síndico apenas seis meses após me estabelecer. Fui responsável não apenas por benfeitorias úteis, mas procurei investir em soluções mais definitivas. Por exemplo, ao invés de re-impermeabilizar a antiga caixa d’água de 10 mil litros em concreto maciço e deixar o prédio 15 dias sem água, passei meses pensando, fazendo reuniões e desativamos a caixa antiga e instalamos duas caixas de fibra de 3 mil litros cada. A obra durou 5 dias enquanto se consumiu a água que restava na caixa antiga. O prédio ficou menos de 10 horas em água. Hoje fazemos manutenção sem deixar o prédio sem água, mudei o sistema de encanamento, enfim. Mas enfrentei tanta resistência, tanta reticência, que hoje nem quero saber de assumir o cargo novamente. Mas nunca deixei de “pensar” o edifício. Outro exemplo: existe uma outra caixa d’água subterrânea e que está abandonada. Com base no conceito da Permacultura já pensei diversas soluções que seriam muito interessantes aqui: Reformar essa caixa subterrânea e transforma-la em cisterna, por exemplo. Instalar uma composteira e usar o adubo para os jardins. Pensei até em uma nini-estação de tratamento de esgoto. Pesquisei e achei, creiam, no Mercado Livre, por R$ 19 mil. Ou seja, é perfeitamente possível. O quase-impossível é convencer as pessoas e, nesse ponto, minha energia está baixa, lá na reserva. Afinal, sou sozinho, isolado, só eu defendo ideias como essa aqui.

    Mas a ideia, creio, vale muito a pena para ser refletida. Em Belo Horizonte existe um programa da Prefeitura de Certificação Verde para condomínios verticais. O problema é que não existe nenhuma contrapartida do poder público, apenas a emissão da certificação em si. O edifício pode recolher óleo de cozinha usado, lâmpadas, lixo seletivo, os apartamentos terem vasos sanitários com caixa acoplada, torneiras com arejadores, lâmpadas de LED, etc., existem até empresas que oferecem consultoria nesse caso. O problema continua sendo convencer as pessoas de que isso é, mais do que viável, necessário. Certa vez, propus de usar o jardim para plantar algumas PANC’s, ervas, temperos, etc. Quase fui linchado. Em vez disso, gastaram cerca de R$ 250 para comprar flores e, sem a manutenção necessária, o jardim está hoje como estava antes de plantarem as flores.

    Bom, toda essa explicação é para colocar a seguinte pulga atrás da orelha: É possível pensar, refletir, discutir a Permacultura para além da esfera rural? Eu tenho acompanhado iniciativas pequeninas, ainda muito pulverizadas. É possível, quem sabe, reunir estas experiências num único “local”? Não me refiro a, por exemplo, plantar dentro do apartamento. Isso nós podemos fazer sem a necessidade de discutir o assunto de forma mais ampla. Me refiro a discutir Permacultura enquanto política de atitude. É que, com uma metodologia mais definida, penso ser mais fácil apresentar a ideia e o convencimento possa ter mais sucesso.

    Enfim, é uma colocação apenas. Pois se trata de algo que ainda está no plano das ideias para mim. E o objetivo desse tópico é saber se já existem iniciativas próximas disso; saber a opinião de quem leu o tópico; se existe a concordância de que é algo viável, etc.

    Abs!

    #1324

    Agatha
    Participante

    Muito interessante a colocação. O grande desafio da prática é o convencimento do coletivo, principalmente na esfera urbana.

    #1333

    Marcelo Muraro
    Participante

    E enquanto discutimos algo tão profundo, singelo e verdadeiro, me deparo com essa notícia: https://outraspalavras.net/deolhonosruralistas/2017/07/10/estudantes-de-agronomia-da-ufg-pedem-menos-amor-e-mais-agrotoxico/

    Triste quando coisas desse tipo partem da universidade. Não há como aceitar que estudantes estejam embarcando nessa por conta própria. Há professores envolvidos nisso também.

    Fico imaginando quando começarem a se sentir ameaçados pela Permacultura. Vão invadir propriedades? Vão atacar os permacultores? Governos irão criar medidas para favorecer o agronegócio e criminalizar a permacultura? Eu não duvido que esse futuro teneboroso esteja próximo. Que fase…

    #1338

    Olá!

    Penso que vivemos numa época muito dirigida a segurança nos resultados obtidos no curto prazo e  também a uma ansiedade geral para que cada um garanta o seu espaço vital, individual, familiar e do seu grupo. Neste pacote entram os agrotóxicos, defensivos agrícolas, pesticidas, etc,  o consumismo exacerbado. Também sei por experiência própria que criticar é fácil mas não leva a nada.

    Sei também vivemos numa época privilegiada de acesso à informação e um grau de liberdade bem maior que a de tempos idos para fazermos escolhas conscientes. Isso passa pelo acesso franco a filosofias diversas inimagináveis há 100 anos, como filosofia yogue, budista, taoista, etc e tal e a inúmeras oportunidades de acesso a modos mais naturais e menos agressivos de estar no mundo: cozinhar, limpar, organizar, produzir, circular, vender e por aí vai.

    Me encanta muito a simplicidade da permacultura, associada a um certo rigor de métodos de ação, para interferir pouco na paisagem e degradar menos ainda o ambiente. Gostaria muitíssimo de viver numa sociedade onde estes conceitos fossem aplicados e aperfeiçoados, mas sendo realista, vou ficar feliz se houver mais espaços como estes em algumas décadas à frente.

    Talvez para levar a prática desde conceito ao meio urbano e rural se precise partir dos próprios conceitos da permacultura, sobretudo o de procurar os nichos onde ela possa ser aplicada. No meu pensar, o modo de produção  de alimentos natural e/ou orgânico, suas feiras; os meios de troca de produtos artesanais organizados em feiras e eventos de curta duração são nichos, assim como de grupos que praticam reflorestamento urbano, por exemplo.  A rede de voluntariado ao redor de um tema, assim como a prática de meditação e de yoga em espaços públicos são outros nichos.

    Nos dias que seguem vou olhar para os lugares onde vivo e por onde circulo com os olhos de observação da paisagem …

    Abraços gerais!

    #1368

    marcel
    Mestre

    Ola Marcelo

    parabens pela iniciativa e pelas ideias.A Permacultura precisa ser pensada especialmente para a cidade, local onde uma pequena mudança de hábito é capaz de reduzir imensamente o impacto no meio ambiente se adotada em larga escala. Existem diversas iniciativas mundiais para tornar as cidades mais sustentáveis. Por exemplo, Copenhaggen criou uma lei obrigado os prédios a terem tetos verdes. O próprio Thomaz Lotufo, aplicou algumas ideia sem sua casa, no centro de São Paulo, na maior capital da América Latina. Como você disse, infelizmente, muitas iniciativas ainda precisam de uma evolução de consciência social antes de serem postas em prática. Você não está sozinho em suas observações. Acho muito válido reunirmos outras experiencias de sucesso no ambiente urbano. Espero que esses foruns, possam ser um bom canal para unir tais iniciativas.

    abraços fraternos

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