O que é Arquitetura Apropriada?

<span style=”font-weight: 400″>Ao falar de construção, é necessário citar a maior obra de estrutura metálica  – e outros elementos do mundo do aço – conhecida no planeta e que fica localizada no Rio Doce. Há relatos de que ao sair da atmosfera terrestre, as últimas coisas vistas na Terra são a Grande Muralha da China e o Rio Doce marrom.</span>

<a href=”http://festivaldasustentabilidade.com.br/wp-content/uploads/2018/10/Rio-Doce.jpg”><img class=” wp-image-15477 aligncenter” src=”http://festivaldasustentabilidade.com.br/wp-content/uploads/2018/10/Rio-Doce-300×169.jpg” alt=”” width=”385″ height=”217″ /></a>

<span style=”font-weight: 400″>A arquitetura é um mundo que mexe com a questão da renda, de valores subjetivos, questões comerciais e de poder. Ela, historicamente, sempre foi ligada aos poderes financeiros, políticos, religiosos e culturais, não é por acaso que a arquitetura produzida atualmente é extremamente impactante tanto no meio ambiental quanto no meio social.</span>

<a href=”http://festivaldasustentabilidade.com.br/wp-content/uploads/2018/10/arquitetura-impactante.jpg”><img class=” wp-image-15478 aligncenter” src=”http://festivaldasustentabilidade.com.br/wp-content/uploads/2018/10/arquitetura-impactante-300×169.jpg” alt=”” width=”407″ height=”229″ /></a>

<span style=”font-weight: 400″>Então para os arquitetos – que são tradicionalmente acostumados com esse modelo extravagante – refletir sobre um outro caminho para a arquitetura é um grande desafio, já que em sua formação acadêmica, eles são levados ao consenso de planejar coisas incríveis, esboçando plantas mirabolantes e projetos que desafiam a engenharia.</span>

<span style=”font-weight: 400″>Mas a pergunta é: </span><b>Por que? É realmente essencial fazer tudo isso?</b>

<span style=”font-weight: 400″>É nesse ponto que vem a questão do traço. O arquiteto projeta e em termos de permacultura “planejar é dar direção aos fluxos energéticos de um espaço”. Mas cada risquinho feito no papel tem um peso e é preciso entender a relevância disso! O traço, muitas vezes, pode alienar e é importante entender quando o traço aliena e quando ele se deixa apropriar.</span>

<span style=”font-weight: 400″>A Arquitetura Apropriada é aquela onde alguém pode se apropriar, ou seja: outrem olha, entende e consegue reproduzir. Então quem decide trabalhar com isso, deve entender que outras pessoas precisam apoderar-se de tal conhecimento e passá-lo adiante.</span>

<span style=”font-weight: 400″>O desafio é pensar no traço em termos de impacto positivo, reduzir o impacto é muito importante, mas também há de se trazer coisas boas no meio interferido.</span>

<b>Qual é o impacto positivo do traço?</b>

<span style=”font-weight: 400″>Pra entender isso, é indispensável entender o traço:</span>

<span style=”font-weight: 400″>“</span><b>Pra que?</b><span style=”font-weight: 400″>”  – os propósitos desse traço.</span>

<span style=”font-weight: 400″>“</span><b>Pra quem</b><span style=”font-weight: 400″>?”  – hoje a arquitetura é produzida pra quem?</span>

<span style=”font-weight: 400″>“</span><b>Como</b><span style=”font-weight: 400″>?”  – como é produzida essa arquitetura?</span>

<span style=”font-weight: 400″>“</span><b>Onde</b><span style=”font-weight: 400″>”  – onde é produzida essa arquitetura?</span>

<span style=”font-weight: 400″>“</span><b>Quando</b><span style=”font-weight: 400″>?”  – quando será produzida essa arquitetura?</span>

<span style=”font-weight: 400″>Em 2002, Tomaz Lotufo, começou a estudar permacultura, com grande interesse em fazer as coisas acontecerem, além de participar de cursos, ele gostava de “botar a mão na massa”. Mas com o tempo, Tomaz passou a entender que a bioconstrução e a arquitetura copiada trazem consigo coisas claras e importantes numa perspectiva ambiental de trabalhar com recursos locais, reduzir o impacto e tentar fazer o melhor com o mínimo que se tem.  Existe também uma questão social muito forte: quando você faz, você se apropria. Quando todos fazem, todos se apropriam. </span>

<span style=”font-weight: 400″>A arquitetura na maioria dos casos, é vista hoje como um objeto, uma coisa, não como algo que se manifesta. Quando se olha uma imagem como esta:</span>

<a href=”http://festivaldasustentabilidade.com.br/wp-content/uploads/2018/10/casa-chalé.png”><img class=” wp-image-15479 aligncenter” src=”http://festivaldasustentabilidade.com.br/wp-content/uploads/2018/10/casa-chalé-300×169.png” alt=”” width=”457″ height=”257″ /></a>

<span style=”font-weight: 400″>É possível ver uma casa ou um chalé, mas talvez não seja uma casa ou um chalé. Ao olhar a imagem, não se pode ver esse ser se manifestando, então, em termos de apropriação, é necessário mais.</span>

<span style=”font-weight: 400″>É preciso olhar a casa/chalé numa dinâmica processual, ver as pessoas interagindo com ela, construindo e/ou morando, só assim se compreenderá como essa casa/chalé se manifesta. </span>

<b>Então qual é o traço que nos permite olhar o elemento como um processo?</b>

<span style=”font-weight: 400″>Ao olhar uma árvore, pode-se olhar a árvore como uma coisa ou a árvore nesta dimensão:</span>

<a href=”http://festivaldasustentabilidade.com.br/wp-content/uploads/2018/10/árvore-.jpg”><img class=” wp-image-15480 aligncenter” src=”http://festivaldasustentabilidade.com.br/wp-content/uploads/2018/10/árvore–300×169.jpg” alt=”” width=”670″ height=”377″ /></a>

<span style=”font-weight: 400″>Acima, é possível vê-la como um processo, como um ser manifesto, como um grande acontecimento. </span>

<b>Então qual é o traço que faz com que as edificações se manifestem?</b>

<span style=”font-weight: 400″>Há de se entender que não é preciso trabalhar a casa ou a cidade como um organismo vivo, no fim o objeto é organizado por uma série de órgãos que estão interconectados e assim a coisa pode se manifestar.</span>

<a href=”http://festivaldasustentabilidade.com.br/wp-content/uploads/2018/10/casa-organismo-vivo.jpg”><img class=”wp-image-15481 aligncenter” src=”http://festivaldasustentabilidade.com.br/wp-content/uploads/2018/10/casa-organismo-vivo-300×169.jpg” alt=”” width=”435″ height=”245″ /></a>

<span style=”font-weight: 400″>Um exemplo é uma cisterna. Uma cisterna sozinha é uma coisa:</span>

<a href=”http://festivaldasustentabilidade.com.br/wp-content/uploads/2018/10/cisterna.jpg”><img class=” wp-image-15482 aligncenter” src=”http://festivaldasustentabilidade.com.br/wp-content/uploads/2018/10/cisterna-300×169.jpg” alt=”” width=”450″ height=”254″ /></a>

<span style=”font-weight: 400″>Uma cisterna relacionada passa a ser mais cisterna:</span>

<a href=”http://festivaldasustentabilidade.com.br/wp-content/uploads/2018/10/cisterna-relacionada.jpg”><img class=” wp-image-15483 aligncenter” src=”http://festivaldasustentabilidade.com.br/wp-content/uploads/2018/10/cisterna-relacionada-300×169.jpg” alt=”” width=”430″ height=”242″ /></a>

<span style=”font-weight: 400″>Uma cisterna relacionada cuja água utilizada nela passa por um tratamento biológico, se torna ainda mais cisterna e ela faz parte da casa e a casa tem uma série de ciclos, uma série de órgãos e esses órgãos se organizam graças às manifestações que são estabelecidas na casa.</span>

<span style=”font-weight: 400″>Falar em arquitetura apropriada é falar da matéria prima, mas também é falar de todos os sistemas energéticos que envolvem essa casa de maneira que ela possa se manifestar.</span>

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<span style=”font-weight: 400″>Repare neste menino, seu nome é Martín:</span>
<p style=”text-align: center”><a href=”http://festivaldasustentabilidade.com.br/wp-content/uploads/2018/10/martin.jpg”><img class=”alignnone wp-image-15484″ src=”http://festivaldasustentabilidade.com.br/wp-content/uploads/2018/10/martin-300×169.jpg” alt=”” width=”423″ height=”238″ /></a></p>
<span style=”font-weight: 400″>Atualmente existe uma geração de crianças que não sabem que seus pais já chamaram “resíduos sólidos orgânicos” de “lixo”. Martín é uma delas e está crescendo em uma casa onde os resíduos sólidos orgânicos vão pra uma composteira e depois viram húmus – fezes de minhoca – que por sua vez vai para terra e vira comida. A casa, ao se manifestar, muda a cultura, o que é necessário para mudar o mundo! Então pensar nela como organismo vivo é também pensar na “casa viva”, ou seja, casa que promove a vida.</span>

<span style=”font-weight: 400″>Artigo baseado na palestra de Tomaz Lotufo no Simpósio Latino de Bioarquitetura e Sustentabilidade realizado pelo Instituto Pindorama, em 2016.</span>

<span style=”font-weight: 400″>Tomaz Lotufo — Professor do MBA em Construções Sustentáveis, INBEC / UNIP e da pós-graduação “Arquitetura, Cidade e Sustentabilidade”. Atua como arquiteto no escritório 2 Bio + Arquitetura, onde tem como foco Arquitetura de baixo impacto ambiental e projetos comunitários. Educador.</span>

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