Restaurante orgânico com preço popular do Instituto Pindorama abre as portas em Nova Friburgo

Desde que inauguramos, há quase 3 semanas a Casa Pindorama, perseveramos no desafio de trazer à mesa alimentos sadios e estamos conseguindo, com muito trabalho e criatividade manter o compromisso de pratos com 80 a 100% de alimentos livres de agrotóxicos, à preço popular, até mais baixos do que os valores praticados por restaurantes “naturais” nas proximidades.
 
Porém, assim como deixamos claro desde o princípio, a produção de alimentos orgânicos e agroecológicos respeita o princípio da sazonalidade, que significa que seu plantio e colheita respeitam um calendário pensado em função das peculiaridades daquele vegetal, da época do ano que ele deve ser semeado e colhido, do local onde esse cultivo será desenvolvido, entre outros fatores. O respeito à sazonalidade, garante que o potencial nutricional dos alimentos seja ampliado, permite o pousio do solo e economia de recursos para a produção dos gêneros alimentícios.
 
Vegetais como o tomate e a batata inglesa, solanáceas que apesar de não serem nativas do Brasil estão presentes diariamente nas nossas mesas, necessitam cuidados especiais justamente por não estarem adaptadas ao nosso clima e tipo de solo.
 
Quando são produzidos convencionalmente, com o uso de agrotóxicos e uma quantidade enorme de insumos, sua produção é garantida ao longo de todo ano. A padronização também é buscada a todo custo através do uso de sementes selecionadas, muitas vezes transgênicas. Entretanto, sabemos os custos ambientais e o impacto que o abuso do veneno e o consumo de alimentos transgênicos têm sobre a saúde humana.
 
Na produção livre de agrotóxico, são utilizadas estufas, fertilizantes permitidos pelas agências fiscalizadoras, mão de obra especializada, rotação de culturas, além do respeito à sazonalidade e à diversidade de espécies e variedades. Em função de todo esses cuidados, um mesmo alimento certamente não estará disponível durante todo o ano. O tomate, tão amado, não estará presente todo ano ou pelo menos não em sua forma mais apreciada, aquele tomate graúdo, brilhante, sem máculas.
 
Sem contar que, embora cresçam a cada ano, ainda são poucos os agricultores que optaram pela produção livre de veneno e a demanda por esses produtos ainda é muito maior que sua oferta.
 
Assim, na Casa Pindorama tentamos enxergar a escassez de determinados produtos sob uma outra perspectiva. Enxergamos como uma oportunidade de inovar, criar novos sabores, utilizar os alimentos da época, trabalhar com a diversidade e promover educação.
 
Para retornar ao caso do tomate, fazem uns dez dias que não recebemos a quantidade de tomate que costumamos pedir de um de nossos fornecedores de orgânicos e isso não nos desespera. Criamos um delicioso nhoque de massa de inhame e molho de abóboras lindas e doces que recebemos, estamos aproveitando a oferta de quiabos, taiobas, vagens, batatas doces diversas, que sempre trazem cor e sabor aos pratos que servimos.
 
Apesar disso, alguns clientes reclamam a falta do tomate ou de determinada fruta de nosso cardápio de sucos. A esses clientes pedimos que compreendam, já que não mudaremos a nossa missão de trazer alimentos orgânicos e agroecológicos apenas para que seu desejo de tomar um suco de laranja seja atendido. Ao invés disso, servimos frutas da época, de acordo com a disponibilidade, o que garantirá um suco muito mais rico em nutrientes e muitas vezes, mais saboroso.
 
Outros restaurantes vizinhos contam com cartas de sucos e pratos imutáveis. Encorajamos esses clientes que desejam comer e beber sempre as mesmas coisas a irem nestes restaurantes. Mas deixamos um alerta: se o sabor e variedade são sempre os mesmos, talvez quem esteja perdendo é você!
março 15, 2018
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